A História e o Contexto do Turismo em Portugal
Culturalmente, a indústria hoteleira e não hoteleira de alojamento tem registado uma história circular se analisarmos atentamente a História dos últimos 5 séculos. Especificamente, as unidades que hoje vemos como secundárias no mercado hoteleiro estão, curiosamente, na génese do turismo.
A definição de Turismo, segundo o WTO (World Tourism Organization), é o ato de viajar e pernoitar para locais fora do ambiente habitual, durante não mais do que um ano, por lazer, negócios e outros motivos.
 |
| Antiga estalagem do Gado Bravo |
Na sua origem, o ato de pernoitar em viagem dava-se largamente em quartos alugados a espaços não especializados que se encontravam na rota do viajante. A maioria dos estabelecimentos que ofereciam este serviço eram locais de descanso e não espaços que os albergassem por períodos duradouros. Perante esta realidade, a indústria hoteleira surge quando, no século XVIII, o aumento da média burguesia recorre às rotas de comércio para explorar o mundo em lazer.
Consequentemente, foram criados locais dedicados a alojar os primeiros turistas como via de lazer.
Estas unidades foram, lentamente, evoluindo, diferenciando-se consoante os serviços que prestam e a qualidade dos mesmos. Na medida em que o Turismo era uma atividade bastante exclusiva – apenas no final do século XIX se torna mais abrangente – a sua prática era considerado algo extremamente elitista e, naturalmente, dispendiosa.
Atualmente, com os desenvolvimentos tecnológicos (na indústria náutica e aeronáutica) que ocorreram, essencialmente nos últimos 2 séculos, a prática do turismo massificou-se, tornando-a numa prática globalizada.
No que diz respeito, concretamente, à realidade sociocultural de Portugal, o panorama de expansão é contraposto com um clima social instável devido às consequências do ciclo de crise macroeconómico que a Europa testemunha e no qual Portugal foi um dos países mais afetados.
Geograficamente, Portugal tem uma identidade muito própria, com o fenómeno da litoralização a destacar-se com facilidade. Consequentemente, a forte industrialização e urbanização das zonas litorais fez com que o interior não conseguisse acompanhar o ritmo de desenvolvimento do resto do país, levando naturalmente à desertificação do mesmo.
Outro fenómeno que, apesar de não ser recente, se tem registado por diversas vezes nos últimos 100 anos em Portugal, é a emigração. Atualmente, assiste-se a uma nova vaga de emigração com a particularidade de ser composto, maioritariamente, por jovens qualificados que não conseguem evoluir profissionalmente nos seus empregos ou que nem sequer estão empregados.
Em relação aos Estados-Membros da União Europeia, Portugal revela um nível de qualificação profissional inferior à média, originando assim uma perda de competitividade no mercado tecnológico. Esta debilidade educacional, faz com que a atratividade de investimento externo seja menor, provocando assim, um crescimento lento. Consequentemente, este lento crescimento impede um aumento das condições de vida da população, nomeadamente a nível financeiro.
Os baixos preços praticados em Portugal, comparativamente ao resto da Europa, na venda de diversos produtos e serviços, tornam o mercado português apetecível para os turistas europeus, asiáticos e africanos, assim como a heterogeneidade geográfica que Portugal abarca num território tão reduzido