Anatomia da Economia

Dissecamos a economia e mostramos a sua anatomia.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Da procura individual à procura de mercado

A procura individual e a procura de mercado


Até ao momento, vimos como se modeliza o comportamento do consumidor!

Agora vamos ver como podemos agregar as escolhas individuais para obter a procura de mercado.

Utilizemos as seguintes expressões para representar a função de procura individual do bem 1 e do bem 2 :


Supondo que existem n consumidores, a procura agregada ou procura de mercado para o bem 1, resultará da soma das procuras individuais de todos os consumidores:


A procura de mercado, assim como, a procura individual depende dos preços e do rendimento.

No entanto, por vezes é útil pensar na procura agregada como a procura de um consumidor representativo, com um rendimento igual à soma de todos os rendimentos individuais.

Se assumirmos a hipótese do consumidor representativo, a função de procura agregada assumirá a forma:
procura agregada economia

Se fixarmos os rendimentos e o preço do bem 2, podemos representar a função de procura agregada



Da curva de oferta da empresa à curva da oferta da indústria

Curva da oferta series

Da curva de oferta da empresa à curva da oferta da indústria


Num mercado em concorrência perfeita existem muitas empresas a produzir e colocar o produto no mercado, portanto a curva da oferta da indústria resultará da soma da oferta individual de cada empresa. 

Oferta da indústria no curto prazo

Supondo a existência de n empresas, sendo  a curva de oferta da empresa i, a curva de oferta da indústria ( ou a curva de oferta do mercado) será: 

Fórmula Curva da Oferta

Geometricamente obtemos a curva de oferta de mercado através da soma horizontal das curvas de oferta de cada empresa:

Curva oferta do mercado - soma das linhas

Equilíbrio da indústria no longo prazo e oferta de mercado no longo prazo

A curva de oferta de longo prazo é determinada pela curva de custos marginais de longo prazo, como a longo prazo os dois factores são variáveis não é admissível que uma empresa tenha prejuízo no longo prazo, como tal, o preço de mercado terá de ser no mínimo igual ao custo médio de produção para que ela não encerre. Logo a curva de oferta no longo prazo corresponde à porção da curva de custo marginal de longo prazo que se situa acima da curva do custo médio mínimo.

Supondo 4 empresas a operar num mercado e assumindo p* como o preço correspondente ao custo médio mínimo e representando igualmente a curva de procura de mercado: 

Para a curva de procura de mercado (D) o número de empresas que o mercado suporta é de 3, dado que o preço terá de se situar acima ou sobre p*.

Como poderemos construir a curva de oferta de mercado de longo prazo?
Já verificámos no gráfico anterior que podemos excluir os pontos abaixo de p*, mas podemos também excluir alguns pontos das curvas de oferta individuais se considerarmos que a curva de procura de mercado tem declive negativo e a sua máxima inclinação corresponde a uma recta vertical. Podemos excluir parte dos pontos a tracejado nas curvas de oferta individuais acima de p*, dado que, não poderiam ser abrangidos pela interseção da curva de procura de mercado sem que fosse intersetada uma curva de oferta mais à direita. 

Os pontos a tracejado não poderão fazer parte de uma posição de equilíbrio no longo prazo.

Repare-se que os segmentos a “cheio” consistentes com um equilíbrio de longo prazo, esses segmentos tornam-se cada vez menos inclinados à medida que consideramos mais empresas no mercado.

O que significa que a curva de oferta de longo prazo do mercado será aproximadamente horizontal no nível p* ( correspondente ao mínimo dos custos médios).


o Custo Marginal

O que é o custo marginal?

O custo marginal é o acréscimo do custo total correspondente à produção de mais uma unidade de output, formalizando:

Fórmula do custo marginal

Recorrendo ao conceito de derivada podemos formalizar o custo marginal como:


Representação gráfica CMG




Representação gráfica de CM, CVM e Cmg

Custo marginal - Custos no Longo Prazo


O longo prazo é essencialmente um horizonte de planeamento, refere-se aos facto de que os produtores poderem planear o futuro e escolher em que situação querem operar no curto prazo.

A longo prazo podem existir custos quase-fixos, como tal, a curva de custos médios de longo prazo tende para o formato “U”.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

A Curva de Oferta no Longo Prazo

A Curva de Oferta no Longo Prazo - Análise Económica

A Curva de Oferta no Longo Prazo

A curva de oferta de longo prazo é mais elástica do que a curva de oferta de curto prazo, dado que, como ambos os inputs são variáveis existe maior possibilidade da produção responder a alterações do preço do produto. As duas curvas coincidem num ponto (y*) em que o custo marginal de curto e longo prazo são iguais, nesse ponto, a escolha óptima de longo prazo (do factor que é fixo no curto prazo) coincide com o nível de utilização desse factor no curto prazo. 

Curva de oferta no longo prazo agregada

Na curva de oferta no longo prazo, o preço deverá ser superior ao custo médio, caso contrário a empresa deverá encerrar, a longo prazo não se admite prejuízo. A curva de oferta de longo prazo é a parte ascendente da curva de custo marginal de longo prazo acima da curva de custo médio de longo prazo.

A Economia Portuguesa e o Comércio Eletrónico em Portugal

A Economia Portuguesa


Segundo o Banco de Portugal na sua publicação “Projecções para a Economia Portuguesa: 2013-2015”, é espectável que a economia portuguesa registe uma recuperação moderada da actividade no período de 2014-2015, após uma contracção acumulada de 6% nos últimos dois anos. As causas que sustentarão esta retoma baseiam-se numa progressiva recuperação da confiança e na procura interna. As limitações provocadas pela consolidação orçamental, pela diminuição de financiamento registado no sector privado e, acima de tudo, pela manutenção de condições de trabalho desfavoráveis, irão desacelerar este processo que, apesar de tímido, se prevê positivo. É importante mencionar ainda o papel fulcral das exportações para a retoma económica.

O Comércio Eletrónico em Portugal - Volume de vendas


No que se relaciona com mercado de comércio electrónico em Portugal, segundo dados da Ekos Global, ascendeu 951.000.000 € em 2011 e embora a panorâmica económica em Portugal ainda demonstre claros sinais de fragilidade, o sector de comércio electrónico assistiu a um aumento das vendas em 64% durante o primeiro trimestre de 2013. É possível aferir que um em cada dez sites portugueses registe um crescimento de 100% no número de clientes, de acordo com dados do Barómetro Trimestral ACEPI / Netsonda para o 3º trimestre de 2014. É possível constatar que 85% dos sites portugueses aumentou o volume de vendas em comparação com o período homólogo de 2013. Metade desses sites cresceu acima de dois dígitos percentuais (10% ou mais).


A Concorrência imperfeita

O que é a Concorrência imperfeita?


Vamos então falar detalhadamente o que é a concorrência imperfeita. Se uma empresa consegue influenciar significativamente o preço de mercado dos bens que produz, então a empresa é um concorrente imperfeito. A concorrência imperfeita não implica que um concorrente tenha o controle total do preço, tem apenas de deter algum poder discricionário sobre os preços.

A concorrência imperfeita não elimina a concorrência do mercado, os concorrentes lutam pela conquista de uma cada vez maior quota de mercado.

Fontes de imperfeição do mercado (motivadores de concorrência imperfeita)

- Economias de escala


- Barreiras à entrada
a) restrições legais
b) custos de entrada elevados
c) publicidade e diferenciação do produto

Custos e imperfeições do mercado

A tecnologia e a estrutura de custos permite determinar quantas empresas o mercado suporta e a dimensão das mesmas, a questão central é saber se existem economias de escala.
A escala mínima eficiente (EME) é o nível de produção que minimiza o custo médio de produção, relativamente à procura de mercado.

Na figura, a procura total é muito superior à escala mínima eficiente para cada uma das empresas o que permite a existência de numerosos concorrentes perfeitos, neste caso temos concorrência perfeita. 


oligopolio economia
Na figura anterior, os custos aumentam a partir de certo ponto, mas com atraso relativamente à procura total do produto. Neste caso não é possível a existência de muitos concorrentes perfeitos, é pois provável que se estabeleça um oligopólio com um pequeno número de concorrentes.


No caso do monopólio natural os custos podem baixar continuamente, qualquer empresa pode vir a transformar-se num monopólio.

Algém pode dar um exemplo de um monopólio natural? E outro de concorrência imperfeita?

O Excedente do Consumidor

O Excedente do Consumidor


A Procura de um bem discreto

Suponhamos que o bem 1 é um bem discreto, e o bem 2 representa o consumo de todos os outros bens expresso em unidades monetárias, isto é, o resto do rendimento que não é gasto no bem 1 (excedente do consumidor).

Se o preço do bem 1 é bastante elevado o consumidor irá consumir 0 unidades do bem 1, mas se o preço é razoavelmente baixo, o indivíduo irá consumir uma unidade do bem 1
Então para certo preço r1, o consumidor mostrar-se-á indiferente entre consumir e não consumir o bem 1. No Excedente do Consumidor, chamamos a este preço – preço de reserva.

A curva de procura de um bem discreto

Da curva da procura de um bem discreto no excedente do consumidor, sabemos que o comportamento da procura pode ser descrito por uma sequência de preços de reserva em que o consumidor se dispõe a comprar outras unidades do bem 1.
Com o preço r1, o consumidor mostra-se disposto em comprar uma unidade do bem; se o preço baixa para r2, está na disposição de adquirir uma outra unidade, e assim por diante. 

Estes preços podem ser descritos em termos da sua função de utilidade original. Por exemplo, r1 é o preço em que o consumidor está indiferente entre consumir zero ou uma unidade do bem 1, o que significa que tal deve satisfazer a equação:
U(0, m)= U(1, m-r1)

Da mesma forma, r2 satisfaz a equação: 
U(1, m- r2)= U(2, m-2 r2)

O lado esquerdo da equação anterior designa a utilidade que resulta do consumo de uma unidade do bem 1 ao preço r2. O lado direito da equação é a utilidade do consumo de 2 unidades do bem, sendo o preço unitário r2.
Se a função de utilidade é quase-linear, as fórmulas que descrevem os preços de reserva tornam-se mais simples. Se U(x1,x2)=V(x1)+x2 e V(0)=0, então para o preço r1, tem-se :
V(0) + m = m = V(1)+m-r1 o que implica que, r1=V(1) 

Da mesma forma para o preço r2 , tem-se:
V(1) + m – r2  = V(2) + m-2r2
O  que implica que, r2 = V(2)- V(1).

Continuando com o processo, teríamos:
r3=V(3)-V(2)
rn+1= V(n+1)-V(n)

O Preço de Reserva - Excedente do Consumidor


Em cada caso, o preço de reserva, mede o incremento necessário na utilidade para induzir o consumidor a escolher uma unidade adicional do bem. Podemos também dizer que os preços de reserva medem as utilidades marginais associadas aos diferentes níveis de consumo do bem 1 no excedente do consumidor.

Dada a utilidade marginal decrescente a sequência de preços de reserva deverá ser decrescente (r1>r2>r3>...>rn).
A lista de preços de reserva contém toda a informação necessária para se descrever o comportamento da procura de um indivíduo. O grafo dos preços de reserva forma uma função escada, que exprime exactamente a curva de procura para o bem discreto.

A área a tracejado no gráfico apresentado representa o excedente bruto do consumidor

Excedente líquido do consumidor

a área a tracejado no gráfico corresponde ao excedente líquido do consumidor 

Variação no Excedente Líquido do Consumidor

Regra geral existe pouco interesse em conhecer apenas o valor absoluto do excedente do consumidor. Estamos mais interessados na variação do excedente líquido, que resulta por exemplo de uma politica governamental.

Suponha-se que o preço de um dado bem varia de p` para p``, de que maneira irá o excedente líquido do consumidor variar?

O rectângulo A mede a perda no excedente, que se deve ao facto, de que, o consumidor paga mais após a variação dos preços, pelas unidades que continua a consumir.
O rectângulo B mede o valor da perda de consumo, isto é, devido ao aumento do preço o consumidor decide consumir menos do que previamente.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

A Taxa marginal de Substituição - TMS

A Taxa marginal de Substituição - TMS 


A TMS mede a taxa à qual o consumidor está propenso a substituir um bem por outro.
Corresponde à inclinação de uma curva de indiferença.

Taxa marginal de Substituição é a taxa à qual o consumidor está disposto a substituir o bem 2 pelo bem 1.

Também se pode interpretar a TMS como a propensão marginal a pagar. Se o bem 2 representar as unidades monetárias que se podem gastar em todos os outros bens, então, a TMS do bem 2 pelo bem 1, corresponde às unidades monetárias que se estaria disposto a abdicar para consumir um pouco mais do bem 1.

A TMS Descrescente - Taxa Marginal de Substituíção decrescente


A taxa à qual o consumidor deseja trocar o bem 1 pelo bem 2 diminui à medida que aumentamos a quantidade do bem 1.
Ou seja, quanto mais temos de um bem, mais propensos estamos a abdicar de um pouco dele em troca de outro bem.
A inclinação das curvas de indiferença diminui em valor absoluto à medida que aumentamos o consumo do bem 1.

Exemplo da taxa marginal de substituição




O método científico em economia

O método científico em economia


Os cientistas de ciências sociais procuram compreender e prever o comportamento humano. 
A previsão científica consiste na descoberta de padrões regulares de resposta face a uma causa. Mas será possível essa regularidade de resposta em comportamentos humanos, em muitos casos, o comportamento de um grupo de pessoas pode ser antecipado corretamente sem que haja o conhecimento preciso da reação do comportamento de um indivíduo desse grupo. Ou seja, o comportamento de um grande grupo de pessoas é previsível. 

Para a ciência económica é apenas relevante reter o comportamento médio de um indivíduo que faz parte de um grupo. As irregularidades dos comportamentos individuais tendem a cancelar-se umas em relação a outras, e as regularidades tendem a emergir no conjunto dos indivíduos.

A importância e a estrutura do método científico em economia

Quando se observa a regularidade relacional entre dois ou mais fenómenos económicos, procura-se encontrar a razão para tal. A teoria oferece uma explicação sobre essa regularidade e permite também efetuar previsões sobre os factos ainda não observados. Qualquer explicação sobre as relações entre os factos constitui uma teoria no método científico.



Componente estruturais do método científico

É conveniente ter a noção da estrutura de uma teoria que é formulada através do método científico (mesmo em economia), as componentes estruturais da teoria são as seguintes:

(1) O conjunto de definições de variáveis a utilizar; Método científico em economia
Uma variável é uma grandeza quantitativa que pode assumir diversos valores. As variáveis constituem os elementos básicos das teorias. Para se compreender adequadamente uma teoria, é relevante conhecer a diferença entre variáveis endógenas e variáveis exógenas. Uma variável endógena é aquela que é explicada no quadro da teoria, uma variável exógena, embora influencie as variáveis endógenas é explicada por factores externos à teoria.

(2) O conjunto de hipóteses sobre o comportamento de variáveis; 
Um dos elementos chave é o conjunto de hipóteses quanto ao comportamento das variáveis sobre as quais existe interesse. Geralmente as hipóteses no método científico da economia explicitam de que modo os comportamentos de duas ou mais variáveis se relacionam. Muitas vezes os economistas são criticados por admitirem hipóteses simplistas, no entanto, este tipo de críticas não é correto, porque é necessário, uma teoria é uma abstração da realidade e é impossível abarcar a compreensão dos fenómenos económicos complexos na sua totalidade.

(3) As previsões que são deduzidas das hipóteses do método científico da teoria e que podem ser empiricamente testadas; As previsões de uma teoria são proposições que são deduzidas dessa teoria. Uma proposição científica é uma afirmação condicional que toma a seguinte forma: Se isto ocorre, então tal coisa ocorrerá. Um exemplo de uma previsão no método científico aplicado à economia é, se os salários sobem o consumo aumenta. No processo de teorização, os economistas trabalham com muitas relações entre as variáveis, tais relações são formalizadas por funções matemáticas. Por exemplo a proposição de que a quantidade consumida de um bem está negativamente correlacionada com o seu preço constitui uma relação funcional em economia.

Mais dúvidas sobre o método científico aplicado à economia?


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