Anatomia da Economia

Dissecamos a economia e mostramos a sua anatomia.

sábado, 5 de novembro de 2016

Oferta da Empresa e Curva da Oferta

A Oferta da Empresa (Economia)


Importa salientar que continuamos no contexto de um mercado competitivo, com inúmeras pequenas empresas que produzem o mesmo output, não tendo nenhuma delas influência sobre o preço de mercado, ou seja, cada uma delas toma o preço como um dado. 

Neste contexto, a variável de decisão da empresa é apenas a quantidade de produção. A curva de procura que se dirige à empresa é a que passamos a ilustrar:

Convém referir que, a curva de procura que enfrenta uma empresa é algo distinto de uma curva de procura de mercado. A curva de procura de mercado depende apenas do comportamento dos consumidores, mede a relação entre o preço de mercado e a quantidade de output vendida. A curva de procura que se dirige a determinada empresa depende não apenas do comportamento dos consumidores mas também do comportamento das outras empresas. A curva de procura que se dirige a uma empresa, mede a relação entre o preço de mercado e o nível de output dessa empresa.

A Curva de Oferta de Curto Prazo na Empresa

A partir das curvas de custo da empresa iremos determinar a curva de oferta de curto prazo de uma determinada empresa competitiva.
Sabemos que o objectivo da empresa é o da maximização do lucro:
A empresa escolhe o nível de produção que maximiza o lucro, há portanto que derivar a função lucro em ordem a y e igualar a zero,
Da condição determinada, deduz-se que qualquer que seja o nível do preço de mercado a empresa irá escolher o nível de produção,
Consequentemente, a curva de oferta irá coincidir em parte com a curva de Cmg.

A função de lucro no curto prazo pode ser escrita na forma:
vamos rescrever a função lucro após substituir esta expressão:

Desta última expressão podemos retirar importantes conclusões, se a empresa decidisse produzir (y=0), a empresa teria um prejuízo equivalente aos CF. Deste modo com output positivo, desde que a empresa consiga cobrir os custos variáveis médios (CVM) estará numa posição equivalente ao de nada produzir (encerramento). Para que valha a pena produzir o preço de mercado do output terá de ser superior ao custo variável médio.

A curva de oferta da empresa corresponde apenas à seção ascendente da curva de custos marginais, não faz sentido produzir níveis de output para os quais o Cmg é decrescente, porque estando a decrescer os custos de produzir mais uma unidade, seria sempre possível ter mais lucro aumentando a produção.
A curva de oferta é a parte ascendente da curva de Cmg, mas apenas a seção que se encontra acima dos CVM mínimos, dado que se o CVM for superior ao preço a empresa deverá encerrar. 

História e Contexto do Turismo em Portugal

A História e o Contexto do Turismo em Portugal


Culturalmente, a indústria hoteleira e não hoteleira de alojamento tem registado uma história circular se analisarmos atentamente a História dos últimos 5 séculos. Especificamente, as unidades que hoje vemos como secundárias no mercado hoteleiro estão, curiosamente, na génese do turismo.
A definição de Turismo, segundo o WTO (World Tourism Organization), é o ato de viajar e pernoitar para locais fora do ambiente habitual, durante não mais do que um ano, por lazer, negócios e outros motivos.

Antiga estalagem do Gado Bravo

Na sua origem, o ato de pernoitar em viagem dava-se largamente em quartos alugados a espaços não especializados que se encontravam na rota do viajante. A maioria dos estabelecimentos que ofereciam este serviço eram locais de descanso e não espaços que os albergassem por períodos duradouros. Perante esta realidade, a indústria hoteleira surge quando, no século XVIII, o aumento da média burguesia recorre às rotas de comércio para explorar o mundo em lazer.

Consequentemente, foram criados locais dedicados a alojar os primeiros turistas como via de lazer.
Estas unidades foram, lentamente, evoluindo, diferenciando-se consoante os serviços que prestam e a qualidade dos mesmos. Na medida em que o Turismo era uma atividade bastante exclusiva – apenas no final do século XIX se torna mais abrangente – a sua prática era considerado algo extremamente elitista e, naturalmente, dispendiosa.
Atualmente, com os desenvolvimentos tecnológicos (na indústria náutica e aeronáutica) que ocorreram, essencialmente nos últimos 2 séculos, a prática do turismo massificou-se, tornando-a numa prática globalizada.
No que diz respeito, concretamente, à realidade sociocultural de Portugal, o panorama de expansão é contraposto com um clima social instável devido às consequências do ciclo de crise macroeconómico que a Europa testemunha e no qual Portugal foi um dos países mais afetados.

Geograficamente, Portugal tem uma identidade muito própria, com o fenómeno da litoralização a destacar-se com facilidade. Consequentemente, a forte industrialização e urbanização das zonas litorais fez com que o interior não conseguisse acompanhar o ritmo de desenvolvimento do resto do país, levando naturalmente à desertificação do mesmo.
Outro fenómeno que, apesar de não ser recente, se tem registado por diversas vezes nos últimos 100 anos em Portugal, é a emigração. Atualmente, assiste-se a uma nova vaga de emigração com a particularidade de ser composto, maioritariamente, por jovens qualificados que não conseguem evoluir profissionalmente nos seus empregos ou que nem sequer estão empregados.

Em relação aos Estados-Membros da União Europeia, Portugal revela um nível de qualificação profissional inferior à média, originando assim uma perda de competitividade no mercado tecnológico. Esta debilidade educacional, faz com que a atratividade de investimento externo seja menor, provocando assim, um crescimento lento. Consequentemente, este lento crescimento impede um aumento das condições de vida da população, nomeadamente a nível financeiro.
Os baixos preços praticados em Portugal, comparativamente ao resto da Europa, na venda de diversos produtos e serviços, tornam o mercado português apetecível para os turistas europeus, asiáticos e africanos, assim como a heterogeneidade geográfica que Portugal abarca num território tão reduzido

O Peso da Atividade Turística em Portugal

Qual o Peso da Atividade Turística em Portugal


Com base na Balança de Pagamentos do Banco de Portugal, verifica-se que as receitas do Turismo, que representam uma parcela do Consumo Turístico Interior, têm vindo a aumentar ao longo da última década, passando de 5,7 mil milhões de euros em 2000, para 8,6 mil milhões de euros em 2012. Considerando a última década, 2012 foi o ano em que receitas do turismo tiveram uma maior representação no PIB, com um peso de cerca de 5,2%.

O peso das receitas do Turismo na exportação de bens e serviços apresentou uma tendência decrescente entre 2001 e 2008, passando de 16% para 13%. No entanto, tal deveu-se a um aumento do valor das exportações de bens e serviços e não a uma redução das receitas do Turismo. Em 2012, as exportações atingiram o valor mais alto da última década, 60 mil milhões de euros, tendo o Turismo representado cerca de 14,3% do seu total.

Entre 2000 e 2012, tanto as receitas como as despesas do Turismo apresentaram uma evolução positiva. No entanto, o crescimento das receitas foi superior ao das despesas, o que contribuiu para o aumento do saldo da Balança Turística ao longo dos últimos anos.

Em 2012, tanto o saldo da balança como as receitas do Turismo atingiram os valores mais elevados de sempre, cerca de 5,6 mil milhões de euros e 8,6 mil milhões de euros, respetivamente. Relativamente ao peso do saldo da Balança Turística no PIB, este oscilou entre os 2,4% e os 3,4%, ao longo da última década. De acordo com os dados disponíveis mais recentes, em 2012 o saldo da Balança Turística representou aproximadamente 3,4% do PIB, o valor mais elevado desde o ano 2000.

De acordo com os dados da Conta Satélite do Turismo do INE, a contribuição do sector do Turismo para o Valor Acrescentado Bruto (VAB) da Economia aumentou progressivamente entre 2003 e 2007, passando de 4,6 mil milhões de euros para 6,2 mil milhões de euros.

No entanto, em 2008 e 2009 sofreu decréscimos de 2,1% e de 2,8%, respetivamente, algo que não acontecia desde 2003. De modo geral, ao longo da última década o peso do Turismo no VAB esteve sempre próximo dos 4%, sofrendo apenas ligeiras oscilações.

Peso das receitas do Turismo no PIB

Em 2010, a contribuição do Turismo voltou a registar valores semelhantes aos anteriores a 2008, assim como uma taxa de variação positiva de 6,4%, face ao ano anterior. Este crescimento foi também bastante superior ao registado pelo VAB da Economia (3%).

Peso do Turismo nas Exportações Nacionais

A despesa em Consumo Turístico Interior apresentou um crescimento progressivo entre 2003 e 2008, aumentando de 11,7 mil milhões de euros para 15,8 mil milhões de euros. No entanto, diminuiu cerca de 6,2% em 2009, ano em que registou a taxa de variação mais negativa de sempre, desde 2000.
Também o peso do Consumo Turístico Interior no PIB diminuiu para 8,8% em 2009, em linha com uma variação negativa do PIB de 2,3%, no mesmo ano. No entanto, em 2010, a despesa em Consumo Turístico Interior voltou a crescer 7,9%, assim como o seu peso no PIB (9,2%).

Monopólio

O Monopólio (economia)


O termo monopólio define uma situação na qual uma única empresa produz um bem para o qual não existe substituto próximo.

A curva de procura individual de um monopolista possui as mesmas características gerais da curva de procura de mercado em concorrência perfeita:

Uma das grandes diferenças entre um monopolista e um concorrente perfeito é a de que o preço do monopolista diminui quando aumentam as suas vendas. 

Em concorrência perfeita - ao contrário do monopólio - o preço é um parâmetro e a maximização do lucro dá-se em função da variação do nível de produção. Um monopolista pode maximizar os seus lucros, quer variando o seu nível de produção quer alterando o preço do produto. 

O monopolista embora não tenha concorrentes, não pode escolher o preço de forma totalmente independente, tem que contar com a curva de procura de mercado.

De salientar que a receita total do monopolista varia de duas formas quando a quantidade produzida se altera, por via da alteração das quantidades e por via da alteração do preço.

Podemos representar a variação da receita total por:
Enquanto em concorrência perfeita, se o produtor aumentar as suas vendas em uma unidade, a sua receita aumentará pelo valor de mercado da unidade adicional ( o preço). Em monopólio, para vender mais uma unidade, o monopolista tem que diminuir o preço de todas elas. 

A diferença entre a Rmg e o preço diminui quando a elasticidade da procura aumenta, a Rmg aproxima-se do preço quando a elasticidade tende para infinito.

Através de uma curva de procura linear podemos traçar a curva da receita total:     

Maximização do Lucro Monopolista (em monopólio económico)


A condição de primeira ordem para a maximização do lucro é:
Ou seja, a produção deve expandir-se enquanto os acréscimos à receita total excederem os acréscimos dos seus custos totais.

Como a Rmg deverá ser positiva para uma produção que maximiza o lucro, concluímos que o monopolista escolherá sempre um ponto elástico na sua curva de procura, isto é, um ponto em que o valor absoluto da elasticidade seja maior do que 1.

Se um monopolista seguir a regra de concorrência perfeita (p=Cmg) tem uma produção maior a um preço menor. Nas indústrias monopolísticas actua-se num ponto em que p>Cmg.

Portanto os consumidores desfrutam de um bem estar menor numa indústria monopolística do que numa indústria competitiva.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

A Minimização dos Custos

A Minimização dos Custos em Economia


Supondo que temos dois factores, x1  e  x2, cujos preços são w1 e w2, e que queremos saber a forma “mais barata” de produzir uma quantidade Y. Se for a função de produção temos:

Utilizando o método dos multiplicadores de Lagrange,

Multiplicadores de Lagrange



Gráfico Minimização dos Custos - Isocusto
Portanto o nosso problema de minimização pode definir-se graficamente dizendo que é o ponto em que a isoquanta tangencia a reta de isocusto mais baixa, a combinação  corresponde à nossa escolha óptima.
A Taxa Marginal de Substituição Técnica (TMST), corresponde ao declive da reta Isocusto que iguala o rácio dos produtos marginais:

Taxa Marginal de Substituição Técnica
Do problema de minimização do custo resultam as curvas de procura derivadas (ou condicionadas), tratam-se das expressões que medem a a escolha dos inputs em função do preço dos factores produtivos e do output.

Estas curvas de procura dão-nos as escolhas que minimizam o custo para um dado nível de produção. Podemos representá-las por:

Os Custos a Curto e a Longo Prazo


Curto prazo - custo mínimo necessário para conseguir um nível de produção, ajustando exclusivamente os factores variáveis.
Longo prazo – custo mínimo necessário para produzir determinado nível de output, ajustando todos os factores produtivos.

O problema de minimização do custo que formalizámos anteriormente considerava os dois factores como variáveis, no caso da minimização do custo no curto prazo devemos definir o problema como:

A função de custo total de curto prazo dá-nos o mínimo custo de produção de um determinado nível de output, ajustando apenas o factor variável. 

Relação entre os retornos à escala e a função dos custos

No caso de rendimentos constantes à escala, a função de custos é linear em relação à produção.
Com rendimentos crescentes à escala, os custos aumentam menos do que proporcionalmente com a produção. Se a empresa duplicar a produção o seu custo será inferior ao dobro, isto com os preços dos factores produtivos fixos.

Se a tecnologia exibir rendimentos decrescentes à escala, a função de custos aumentará mais do que proporcionalmente face à produção, se a produção duplicar os custos irão mais do que duplicar.

Este comportamento pode ser observado recorrendo, à análise do custo unitário de produção, que podemos obter dividindo os custos totais pela quantidade de produção(y), podemos representar uma função de custo médio:

Função do Custo Médio
Se a tecnologia tiver rendimentos constantes à escala, os custos unitários de produção são constantes para qualquer nível de produção, logo podemos dizer que

Se tivermos uma tecnologia com rendimentos crescentes à escala, os custos médios descem com o aumento da produção.
Se a tecnologia tiver rendimentos decrescentes à escala, então, os custos médios sobem com o aumento da produção.
Como uma tecnologia pode ter diferentes retornos à escala para diferentes níveis de produção, uma curva de custo médio poderá também ter um comportamento distinto consoante os níveis de produção.

Lucro do Produtor e Excedente do Produtor (gráficos)

Lucro do Produtor

Excedente do Produtor

Gráfico Excedente do Produtor





Variação do Excedente do Produtor


A Variação do Excedente do Produtor

A Escolha Otima do Consumidor e a Maximização do Lucro

A Escolha Otima do Consumidor


Vamos ver de que forma o produtor escolhe a quantidade que deve produzir e o método de produção a empregar, o comportamento do produtor será o de escolher o plano de produção que maximiza o seu lucro.

Essa escolha óptima pode ser obtida de duas formas:
  • pela maximização do output para um determinado nível de custo de produção;
  • pela minimização dos custos de produção para um dado nível de produção.

A Escolha Ótima do Produtor

Vamos supor que os preços dos inputs e do output são fixos, assumimos ainda que quer o mercado dos factores de produção quer o mercado do produto funcionam de forma competitiva, isto é, nenhum produtor individualmente tem capacidade de influenciar o preço de mercado.
Supomos ainda que o produtor utiliza apenas dois factores produtivos(x1, x2), na produção do output y.

Maximização do lucro no curto prazo

Consideremos que temos um nível de utilização do factor produtivo 2 como fixo (    ).
Seja f(x1, x2) a função de produção;  p o preço do output ; w1 e w2 como sendo o preço dos factores produtivos x1  e  x2. 
Então, o problema de maximização do lucro do produtor pode ser escrito na forma:


A condição de escolha óptima do factor 1, será:

ou seja, o valor da produtividade marginal do factor deverá igualar o preço do mesmo factor.

Através desta equação podemos desenhar linhas de isolucro, que representam todas as combinações de inputs e output que nos dão o mesmo nível de lucro. 
A solução de maximização do lucro é a tangencia da função de produção com a mais elevada linha de isolucro, logo o declive da função de produção será igual ao declive da linha de isolucro.

A longo prazo a empresa pode escolher o nível de utilização de todos os factores. Portanto, o problema de maximização do lucro a longo prazo pode formalizar-se da seguinte forma: 


No longo prazo, como os dois factores são variáveis, devem cumprir-se as seguintes condições:

Estas condições significam que se a empresa escolheu de forma ótima os seus factores de produção, o valor da produto marginal de cada um deles deverá ser igual ao seu preço.
Na escolha ótima não é possível aumentar os lucros da empresa modificando o nível de qualquer dos factores.

Se sabemos como se comportam os produtos marginais, em função de     e , podemos falar da escolha óptima de cada um dos factores em função dos seus preços, as equações resultantes denominam-se curvas de procura dos factores.

A curva de procura de um factor mede a relação entre o preço desse factor e a escolha maximizadora do lucro do mesmo, ou seja, a sua quantidade em função do preço.
Podemos também expressar o preço do factor em função da quantidade do factor, neste caso teremos a função de procura inversa do factor.

A Maximização do Lucro no longo prazo e os Retornos à Escala

Existe uma importante relação entre a maximização do lucro e os rendimentos à escala.
Suponhamos que uma empresa escolheu um nível de produção maximizador do lucro que se alcança utilizando as quantidades de factores.
Neste caso o seu lucro será:

Supondo que a empresa tem uma função de produção com rendimentos constantes à escala e que obtém lucro no ponto de equilíbrio.

Qual a consequência da duplicação de factores produtivos a utilizar? 

Segundo a hipótese dos rendimentos constantes à escala, o nível de produção duplicaria e os lucros também duplicariam, o que contraria o pressuposto de que a combinação ótima inicial dos factores maximiza o lucro.
Note-se que chegámos a esta contradição porque, assumimos que a empresa estava a ter lucro no longo prazo. Se o lucro a longo prazo fosse nulo, já não haveria contradição, dado que, a duplicação de factores resultaria num lucro nulo.

Este argumento mostra que a longo prazo, o único nível de lucro que é razoável é o lucro nulo, isto para uma empresa competitiva que tenha rendimentos constantes à escala em todos os níveis de produção. 
Naturalmente que se tem prejuízo a longo prazo a empresa deverá encerrar.

Supondo que uma empresa se expande indefinidamente podem ocorrer três cenários:
1) Expandir-se tanto que não pode funcionar com eficiência, o que equivale a dizer que não teria rendimentos constantes à escala em todos os níveis de produção. A longo prazo pode entrar numa zona de rendimentos decrescentes à escala.
2) Pode expandir-se tanto que dominaria totalmente o mercado, neste caso deixaria de funcionar num mercado de concorrência perfeita que é o que estamos a considerar.
3) Se uma empresa pode obter lucros com uma tecnologia que tenha rendimentos constantes à escala, qualquer outra empresa pode entrar no mercado, então haveria tendência a baixar o preço e diminuiriam os lucros de todas as empresas do mercado.

Tipologias de Empreendimentos Turísticos e Alojamentos

As tipologias de Alojamento Local (AL)


Numa primeira análise, sobressai a Portaria 517/2008 que vem qualificar tipologias não reconhecidas na lei Portuguesa no sentido de promover melhores critérios de qualidade, segurança pública e fiscalização. Esta recente lei vem inserir apartamentos, moradias e estabelecimentos de hospedagem como unidades de Alojamento Local (AL), algo que não podia ser reconhecido como tal até então.

O conteúdo da Portaria mencionada é explícito naquilo que é considerado como apartamento, moradia ou estabelecimento de hospedagem:

  • Apartamento – Considera-se apartamento o estabelecimento de alojamento local cuja unidade de alojamento é constituída por uma fração autónoma de edifício;
  • Moradia - Considera-se moradia o estabelecimento de alojamento local cuja unidade de alojamento é constituída por um edifício autónomo, de carácter unifamiliar;
  • Estabelecimento de hospedagem - Considera-se estabelecimento de hospedagem o estabelecimento de alojamento local cujas unidades de alojamento são constituídas por quartos.


A Portaria 517/2008 aborda ainda a seguinte necessidade de autorização camarária para a utilização do imóvel:
“Com exceção dos estabelecimentos instalados em imóveis construídos em momento anterior à entrada em vigor do Decreto-Lei n.º 38 382, de 7 de Agosto de 1951, o registo de estabelecimentos de alojamento local pressupõe a existência de autorização de utilização ou de título de utilização válido do imóvel, cuja verificação cabe à câmara municipal da respetiva área.”


Autorização camarária para utilização de imóvel para turismo


Para a obtenção dessa autorização, é necessário a seguinte documentação:

  • Documento comprovativo da legitimidade do requerente;
  • Termo de responsabilidade, passado por técnico habilitado, em como as instalações elétricas, de gás e termoacumuladores cumprem as normas legais em vigor;
  • Planta do imóvel a indicar quais as unidades de alojamento a afetar à atividade pretendida;
  • Caderneta predial urbana.
  • Sendo que se a capacidade ultrapassar as 50 camas é igualmente exigido um projeto de segurança contra incêndios.

As unidades requerentes desta autorização e/ou que procuram exercer a atividade de alojamento local deverão obedecer, segundo a Portaria previamente mencionada, aos seguintes requisitos:

  • Estarem instaladas em edifícios bem conservados no exterior e no interior;
  • Estarem ligadas à rede pública de abastecimento de água ou dotadas de um sistema privativo de abastecimento de água com origem devidamente controlada;
  • Estarem ligadas à rede pública de esgotos ou dotados de fossas sépticas dimensionadas para a capacidade máxima do estabelecimento;
  • Estarem dotadas de água corrente quente e fria
  • Ter uma janela ou sacada com comunicação direta para o exterior que assegure as adequadas condições de ventilação e arejamento;
  • Estarem dotadas de mobiliário, equipamento e utensílios adequados;
  • Disporem de um sistema que permita vedar a entrada de luz exterior;
  • Disporem de portas equipadas com um sistema de segurança que assegure a privacidade dos utentes.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Da procura individual à procura de mercado

A procura individual e a procura de mercado


Até ao momento, vimos como se modeliza o comportamento do consumidor!

Agora vamos ver como podemos agregar as escolhas individuais para obter a procura de mercado.

Utilizemos as seguintes expressões para representar a função de procura individual do bem 1 e do bem 2 :


Supondo que existem n consumidores, a procura agregada ou procura de mercado para o bem 1, resultará da soma das procuras individuais de todos os consumidores:


A procura de mercado, assim como, a procura individual depende dos preços e do rendimento.

No entanto, por vezes é útil pensar na procura agregada como a procura de um consumidor representativo, com um rendimento igual à soma de todos os rendimentos individuais.

Se assumirmos a hipótese do consumidor representativo, a função de procura agregada assumirá a forma:
procura agregada economia

Se fixarmos os rendimentos e o preço do bem 2, podemos representar a função de procura agregada



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