Anatomia da Economia

Dissecamos a economia e mostramos a sua anatomia.

sábado, 5 de novembro de 2016

O Oligopólio

O Oligopólio (Economia)


O modelo de concorrência monopolística pode ser visto como um caso particular de oligopólio, no qual se coloca ênfase na diferenciação do produto, enquanto os modelos mais gerais de oligopólio se fixam sobretudo na interdependência estratégica das empresas.
Um oligopólio é constituído por poucas empresas que produzem um bem homogéneo e que atuam sobre o preço.

Vamos analisar as interdependências estratégicas das empresas, partindo de um oligopólio com duas empresas (duopólio).

ESCOLHA DA ESTRATÉGIA
Com duas empresas no mercado a produzir um produto homogéneo, existem quatro variáveis de interesse, que são o preço de cada uma das empresas e as respetivas quantidades.

Escolha da estratégia em Oligopólio


Uma das empresas é líder, quando consegue fixar o preço antes da outra. Esta outra empresa será designada por seguidora, dado que segue a estratégia do líder, isto é, escolhe o preço depois do líder o ter feito, nestes casos dizemos que há um jogo sequencial.
Quando não há hipótese de uma conhecer a decisão da outra e as duas agem ao mesmo tempo designamos por jogo simultâneo.

Jogo Sequencial
(A) Liderança de quantidades (modelo de Stackelberg).;
(B) Liderança de preços.

Jogo Simultâneo
(A) Fixação simultânea das quantidades ( Equilíbrio de Cournot);
(B) Fixação simultânea dos preços ( modelo de Bertrand).

Jogo Cooperativo (coligação) – Quando chegam a um acordo para fixar simultaneamente os preços e as quantidades que maximizam os seus lucros.


Oferta da Empresa e Curva da Oferta

A Oferta da Empresa (Economia)


Importa salientar que continuamos no contexto de um mercado competitivo, com inúmeras pequenas empresas que produzem o mesmo output, não tendo nenhuma delas influência sobre o preço de mercado, ou seja, cada uma delas toma o preço como um dado. 

Neste contexto, a variável de decisão da empresa é apenas a quantidade de produção. A curva de procura que se dirige à empresa é a que passamos a ilustrar:

Convém referir que, a curva de procura que enfrenta uma empresa é algo distinto de uma curva de procura de mercado. A curva de procura de mercado depende apenas do comportamento dos consumidores, mede a relação entre o preço de mercado e a quantidade de output vendida. A curva de procura que se dirige a determinada empresa depende não apenas do comportamento dos consumidores mas também do comportamento das outras empresas. A curva de procura que se dirige a uma empresa, mede a relação entre o preço de mercado e o nível de output dessa empresa.

A Curva de Oferta de Curto Prazo na Empresa

A partir das curvas de custo da empresa iremos determinar a curva de oferta de curto prazo de uma determinada empresa competitiva.
Sabemos que o objectivo da empresa é o da maximização do lucro:
A empresa escolhe o nível de produção que maximiza o lucro, há portanto que derivar a função lucro em ordem a y e igualar a zero,
Da condição determinada, deduz-se que qualquer que seja o nível do preço de mercado a empresa irá escolher o nível de produção,
Consequentemente, a curva de oferta irá coincidir em parte com a curva de Cmg.

A função de lucro no curto prazo pode ser escrita na forma:
vamos rescrever a função lucro após substituir esta expressão:

Desta última expressão podemos retirar importantes conclusões, se a empresa decidisse produzir (y=0), a empresa teria um prejuízo equivalente aos CF. Deste modo com output positivo, desde que a empresa consiga cobrir os custos variáveis médios (CVM) estará numa posição equivalente ao de nada produzir (encerramento). Para que valha a pena produzir o preço de mercado do output terá de ser superior ao custo variável médio.

A curva de oferta da empresa corresponde apenas à seção ascendente da curva de custos marginais, não faz sentido produzir níveis de output para os quais o Cmg é decrescente, porque estando a decrescer os custos de produzir mais uma unidade, seria sempre possível ter mais lucro aumentando a produção.
A curva de oferta é a parte ascendente da curva de Cmg, mas apenas a seção que se encontra acima dos CVM mínimos, dado que se o CVM for superior ao preço a empresa deverá encerrar. 

História e Contexto do Turismo em Portugal

A História e o Contexto do Turismo em Portugal


Culturalmente, a indústria hoteleira e não hoteleira de alojamento tem registado uma história circular se analisarmos atentamente a História dos últimos 5 séculos. Especificamente, as unidades que hoje vemos como secundárias no mercado hoteleiro estão, curiosamente, na génese do turismo.
A definição de Turismo, segundo o WTO (World Tourism Organization), é o ato de viajar e pernoitar para locais fora do ambiente habitual, durante não mais do que um ano, por lazer, negócios e outros motivos.

Antiga estalagem do Gado Bravo

Na sua origem, o ato de pernoitar em viagem dava-se largamente em quartos alugados a espaços não especializados que se encontravam na rota do viajante. A maioria dos estabelecimentos que ofereciam este serviço eram locais de descanso e não espaços que os albergassem por períodos duradouros. Perante esta realidade, a indústria hoteleira surge quando, no século XVIII, o aumento da média burguesia recorre às rotas de comércio para explorar o mundo em lazer.

Consequentemente, foram criados locais dedicados a alojar os primeiros turistas como via de lazer.
Estas unidades foram, lentamente, evoluindo, diferenciando-se consoante os serviços que prestam e a qualidade dos mesmos. Na medida em que o Turismo era uma atividade bastante exclusiva – apenas no final do século XIX se torna mais abrangente – a sua prática era considerado algo extremamente elitista e, naturalmente, dispendiosa.
Atualmente, com os desenvolvimentos tecnológicos (na indústria náutica e aeronáutica) que ocorreram, essencialmente nos últimos 2 séculos, a prática do turismo massificou-se, tornando-a numa prática globalizada.
No que diz respeito, concretamente, à realidade sociocultural de Portugal, o panorama de expansão é contraposto com um clima social instável devido às consequências do ciclo de crise macroeconómico que a Europa testemunha e no qual Portugal foi um dos países mais afetados.

Geograficamente, Portugal tem uma identidade muito própria, com o fenómeno da litoralização a destacar-se com facilidade. Consequentemente, a forte industrialização e urbanização das zonas litorais fez com que o interior não conseguisse acompanhar o ritmo de desenvolvimento do resto do país, levando naturalmente à desertificação do mesmo.
Outro fenómeno que, apesar de não ser recente, se tem registado por diversas vezes nos últimos 100 anos em Portugal, é a emigração. Atualmente, assiste-se a uma nova vaga de emigração com a particularidade de ser composto, maioritariamente, por jovens qualificados que não conseguem evoluir profissionalmente nos seus empregos ou que nem sequer estão empregados.

Em relação aos Estados-Membros da União Europeia, Portugal revela um nível de qualificação profissional inferior à média, originando assim uma perda de competitividade no mercado tecnológico. Esta debilidade educacional, faz com que a atratividade de investimento externo seja menor, provocando assim, um crescimento lento. Consequentemente, este lento crescimento impede um aumento das condições de vida da população, nomeadamente a nível financeiro.
Os baixos preços praticados em Portugal, comparativamente ao resto da Europa, na venda de diversos produtos e serviços, tornam o mercado português apetecível para os turistas europeus, asiáticos e africanos, assim como a heterogeneidade geográfica que Portugal abarca num território tão reduzido

O Peso da Atividade Turística em Portugal

Qual o Peso da Atividade Turística em Portugal


Com base na Balança de Pagamentos do Banco de Portugal, verifica-se que as receitas do Turismo, que representam uma parcela do Consumo Turístico Interior, têm vindo a aumentar ao longo da última década, passando de 5,7 mil milhões de euros em 2000, para 8,6 mil milhões de euros em 2012. Considerando a última década, 2012 foi o ano em que receitas do turismo tiveram uma maior representação no PIB, com um peso de cerca de 5,2%.

O peso das receitas do Turismo na exportação de bens e serviços apresentou uma tendência decrescente entre 2001 e 2008, passando de 16% para 13%. No entanto, tal deveu-se a um aumento do valor das exportações de bens e serviços e não a uma redução das receitas do Turismo. Em 2012, as exportações atingiram o valor mais alto da última década, 60 mil milhões de euros, tendo o Turismo representado cerca de 14,3% do seu total.

Entre 2000 e 2012, tanto as receitas como as despesas do Turismo apresentaram uma evolução positiva. No entanto, o crescimento das receitas foi superior ao das despesas, o que contribuiu para o aumento do saldo da Balança Turística ao longo dos últimos anos.

Em 2012, tanto o saldo da balança como as receitas do Turismo atingiram os valores mais elevados de sempre, cerca de 5,6 mil milhões de euros e 8,6 mil milhões de euros, respetivamente. Relativamente ao peso do saldo da Balança Turística no PIB, este oscilou entre os 2,4% e os 3,4%, ao longo da última década. De acordo com os dados disponíveis mais recentes, em 2012 o saldo da Balança Turística representou aproximadamente 3,4% do PIB, o valor mais elevado desde o ano 2000.

De acordo com os dados da Conta Satélite do Turismo do INE, a contribuição do sector do Turismo para o Valor Acrescentado Bruto (VAB) da Economia aumentou progressivamente entre 2003 e 2007, passando de 4,6 mil milhões de euros para 6,2 mil milhões de euros.

No entanto, em 2008 e 2009 sofreu decréscimos de 2,1% e de 2,8%, respetivamente, algo que não acontecia desde 2003. De modo geral, ao longo da última década o peso do Turismo no VAB esteve sempre próximo dos 4%, sofrendo apenas ligeiras oscilações.

Peso das receitas do Turismo no PIB

Em 2010, a contribuição do Turismo voltou a registar valores semelhantes aos anteriores a 2008, assim como uma taxa de variação positiva de 6,4%, face ao ano anterior. Este crescimento foi também bastante superior ao registado pelo VAB da Economia (3%).

Peso do Turismo nas Exportações Nacionais

A despesa em Consumo Turístico Interior apresentou um crescimento progressivo entre 2003 e 2008, aumentando de 11,7 mil milhões de euros para 15,8 mil milhões de euros. No entanto, diminuiu cerca de 6,2% em 2009, ano em que registou a taxa de variação mais negativa de sempre, desde 2000.
Também o peso do Consumo Turístico Interior no PIB diminuiu para 8,8% em 2009, em linha com uma variação negativa do PIB de 2,3%, no mesmo ano. No entanto, em 2010, a despesa em Consumo Turístico Interior voltou a crescer 7,9%, assim como o seu peso no PIB (9,2%).

Monopólio

O Monopólio (economia)


O termo monopólio define uma situação na qual uma única empresa produz um bem para o qual não existe substituto próximo.

A curva de procura individual de um monopolista possui as mesmas características gerais da curva de procura de mercado em concorrência perfeita:

Uma das grandes diferenças entre um monopolista e um concorrente perfeito é a de que o preço do monopolista diminui quando aumentam as suas vendas. 

Em concorrência perfeita - ao contrário do monopólio - o preço é um parâmetro e a maximização do lucro dá-se em função da variação do nível de produção. Um monopolista pode maximizar os seus lucros, quer variando o seu nível de produção quer alterando o preço do produto. 

O monopolista embora não tenha concorrentes, não pode escolher o preço de forma totalmente independente, tem que contar com a curva de procura de mercado.

De salientar que a receita total do monopolista varia de duas formas quando a quantidade produzida se altera, por via da alteração das quantidades e por via da alteração do preço.

Podemos representar a variação da receita total por:
Enquanto em concorrência perfeita, se o produtor aumentar as suas vendas em uma unidade, a sua receita aumentará pelo valor de mercado da unidade adicional ( o preço). Em monopólio, para vender mais uma unidade, o monopolista tem que diminuir o preço de todas elas. 

A diferença entre a Rmg e o preço diminui quando a elasticidade da procura aumenta, a Rmg aproxima-se do preço quando a elasticidade tende para infinito.

Através de uma curva de procura linear podemos traçar a curva da receita total:     

Maximização do Lucro Monopolista (em monopólio económico)


A condição de primeira ordem para a maximização do lucro é:
Ou seja, a produção deve expandir-se enquanto os acréscimos à receita total excederem os acréscimos dos seus custos totais.

Como a Rmg deverá ser positiva para uma produção que maximiza o lucro, concluímos que o monopolista escolherá sempre um ponto elástico na sua curva de procura, isto é, um ponto em que o valor absoluto da elasticidade seja maior do que 1.

Se um monopolista seguir a regra de concorrência perfeita (p=Cmg) tem uma produção maior a um preço menor. Nas indústrias monopolísticas actua-se num ponto em que p>Cmg.

Portanto os consumidores desfrutam de um bem estar menor numa indústria monopolística do que numa indústria competitiva.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

A Minimização dos Custos

A Minimização dos Custos em Economia


Supondo que temos dois factores, x1  e  x2, cujos preços são w1 e w2, e que queremos saber a forma “mais barata” de produzir uma quantidade Y. Se for a função de produção temos:

Utilizando o método dos multiplicadores de Lagrange,

Multiplicadores de Lagrange



Gráfico Minimização dos Custos - Isocusto
Portanto o nosso problema de minimização pode definir-se graficamente dizendo que é o ponto em que a isoquanta tangencia a reta de isocusto mais baixa, a combinação  corresponde à nossa escolha óptima.
A Taxa Marginal de Substituição Técnica (TMST), corresponde ao declive da reta Isocusto que iguala o rácio dos produtos marginais:

Taxa Marginal de Substituição Técnica
Do problema de minimização do custo resultam as curvas de procura derivadas (ou condicionadas), tratam-se das expressões que medem a a escolha dos inputs em função do preço dos factores produtivos e do output.

Estas curvas de procura dão-nos as escolhas que minimizam o custo para um dado nível de produção. Podemos representá-las por:

Os Custos a Curto e a Longo Prazo


Curto prazo - custo mínimo necessário para conseguir um nível de produção, ajustando exclusivamente os factores variáveis.
Longo prazo – custo mínimo necessário para produzir determinado nível de output, ajustando todos os factores produtivos.

O problema de minimização do custo que formalizámos anteriormente considerava os dois factores como variáveis, no caso da minimização do custo no curto prazo devemos definir o problema como:

A função de custo total de curto prazo dá-nos o mínimo custo de produção de um determinado nível de output, ajustando apenas o factor variável. 

Relação entre os retornos à escala e a função dos custos

No caso de rendimentos constantes à escala, a função de custos é linear em relação à produção.
Com rendimentos crescentes à escala, os custos aumentam menos do que proporcionalmente com a produção. Se a empresa duplicar a produção o seu custo será inferior ao dobro, isto com os preços dos factores produtivos fixos.

Se a tecnologia exibir rendimentos decrescentes à escala, a função de custos aumentará mais do que proporcionalmente face à produção, se a produção duplicar os custos irão mais do que duplicar.

Este comportamento pode ser observado recorrendo, à análise do custo unitário de produção, que podemos obter dividindo os custos totais pela quantidade de produção(y), podemos representar uma função de custo médio:

Função do Custo Médio
Se a tecnologia tiver rendimentos constantes à escala, os custos unitários de produção são constantes para qualquer nível de produção, logo podemos dizer que

Se tivermos uma tecnologia com rendimentos crescentes à escala, os custos médios descem com o aumento da produção.
Se a tecnologia tiver rendimentos decrescentes à escala, então, os custos médios sobem com o aumento da produção.
Como uma tecnologia pode ter diferentes retornos à escala para diferentes níveis de produção, uma curva de custo médio poderá também ter um comportamento distinto consoante os níveis de produção.

Lucro do Produtor e Excedente do Produtor (gráficos)

Lucro do Produtor

Excedente do Produtor

Gráfico Excedente do Produtor





Variação do Excedente do Produtor


A Variação do Excedente do Produtor

A Escolha Otima do Consumidor e a Maximização do Lucro

A Escolha Otima do Consumidor


Vamos ver de que forma o produtor escolhe a quantidade que deve produzir e o método de produção a empregar, o comportamento do produtor será o de escolher o plano de produção que maximiza o seu lucro.

Essa escolha óptima pode ser obtida de duas formas:
  • pela maximização do output para um determinado nível de custo de produção;
  • pela minimização dos custos de produção para um dado nível de produção.

A Escolha Ótima do Produtor

Vamos supor que os preços dos inputs e do output são fixos, assumimos ainda que quer o mercado dos factores de produção quer o mercado do produto funcionam de forma competitiva, isto é, nenhum produtor individualmente tem capacidade de influenciar o preço de mercado.
Supomos ainda que o produtor utiliza apenas dois factores produtivos(x1, x2), na produção do output y.

Maximização do lucro no curto prazo

Consideremos que temos um nível de utilização do factor produtivo 2 como fixo (    ).
Seja f(x1, x2) a função de produção;  p o preço do output ; w1 e w2 como sendo o preço dos factores produtivos x1  e  x2. 
Então, o problema de maximização do lucro do produtor pode ser escrito na forma:


A condição de escolha óptima do factor 1, será:

ou seja, o valor da produtividade marginal do factor deverá igualar o preço do mesmo factor.

Através desta equação podemos desenhar linhas de isolucro, que representam todas as combinações de inputs e output que nos dão o mesmo nível de lucro. 
A solução de maximização do lucro é a tangencia da função de produção com a mais elevada linha de isolucro, logo o declive da função de produção será igual ao declive da linha de isolucro.

A longo prazo a empresa pode escolher o nível de utilização de todos os factores. Portanto, o problema de maximização do lucro a longo prazo pode formalizar-se da seguinte forma: 


No longo prazo, como os dois factores são variáveis, devem cumprir-se as seguintes condições:

Estas condições significam que se a empresa escolheu de forma ótima os seus factores de produção, o valor da produto marginal de cada um deles deverá ser igual ao seu preço.
Na escolha ótima não é possível aumentar os lucros da empresa modificando o nível de qualquer dos factores.

Se sabemos como se comportam os produtos marginais, em função de     e , podemos falar da escolha óptima de cada um dos factores em função dos seus preços, as equações resultantes denominam-se curvas de procura dos factores.

A curva de procura de um factor mede a relação entre o preço desse factor e a escolha maximizadora do lucro do mesmo, ou seja, a sua quantidade em função do preço.
Podemos também expressar o preço do factor em função da quantidade do factor, neste caso teremos a função de procura inversa do factor.

A Maximização do Lucro no longo prazo e os Retornos à Escala

Existe uma importante relação entre a maximização do lucro e os rendimentos à escala.
Suponhamos que uma empresa escolheu um nível de produção maximizador do lucro que se alcança utilizando as quantidades de factores.
Neste caso o seu lucro será:

Supondo que a empresa tem uma função de produção com rendimentos constantes à escala e que obtém lucro no ponto de equilíbrio.

Qual a consequência da duplicação de factores produtivos a utilizar? 

Segundo a hipótese dos rendimentos constantes à escala, o nível de produção duplicaria e os lucros também duplicariam, o que contraria o pressuposto de que a combinação ótima inicial dos factores maximiza o lucro.
Note-se que chegámos a esta contradição porque, assumimos que a empresa estava a ter lucro no longo prazo. Se o lucro a longo prazo fosse nulo, já não haveria contradição, dado que, a duplicação de factores resultaria num lucro nulo.

Este argumento mostra que a longo prazo, o único nível de lucro que é razoável é o lucro nulo, isto para uma empresa competitiva que tenha rendimentos constantes à escala em todos os níveis de produção. 
Naturalmente que se tem prejuízo a longo prazo a empresa deverá encerrar.

Supondo que uma empresa se expande indefinidamente podem ocorrer três cenários:
1) Expandir-se tanto que não pode funcionar com eficiência, o que equivale a dizer que não teria rendimentos constantes à escala em todos os níveis de produção. A longo prazo pode entrar numa zona de rendimentos decrescentes à escala.
2) Pode expandir-se tanto que dominaria totalmente o mercado, neste caso deixaria de funcionar num mercado de concorrência perfeita que é o que estamos a considerar.
3) Se uma empresa pode obter lucros com uma tecnologia que tenha rendimentos constantes à escala, qualquer outra empresa pode entrar no mercado, então haveria tendência a baixar o preço e diminuiriam os lucros de todas as empresas do mercado.

Tipologias de Empreendimentos Turísticos e Alojamentos

As tipologias de Alojamento Local (AL)


Numa primeira análise, sobressai a Portaria 517/2008 que vem qualificar tipologias não reconhecidas na lei Portuguesa no sentido de promover melhores critérios de qualidade, segurança pública e fiscalização. Esta recente lei vem inserir apartamentos, moradias e estabelecimentos de hospedagem como unidades de Alojamento Local (AL), algo que não podia ser reconhecido como tal até então.

O conteúdo da Portaria mencionada é explícito naquilo que é considerado como apartamento, moradia ou estabelecimento de hospedagem:

  • Apartamento – Considera-se apartamento o estabelecimento de alojamento local cuja unidade de alojamento é constituída por uma fração autónoma de edifício;
  • Moradia - Considera-se moradia o estabelecimento de alojamento local cuja unidade de alojamento é constituída por um edifício autónomo, de carácter unifamiliar;
  • Estabelecimento de hospedagem - Considera-se estabelecimento de hospedagem o estabelecimento de alojamento local cujas unidades de alojamento são constituídas por quartos.


A Portaria 517/2008 aborda ainda a seguinte necessidade de autorização camarária para a utilização do imóvel:
“Com exceção dos estabelecimentos instalados em imóveis construídos em momento anterior à entrada em vigor do Decreto-Lei n.º 38 382, de 7 de Agosto de 1951, o registo de estabelecimentos de alojamento local pressupõe a existência de autorização de utilização ou de título de utilização válido do imóvel, cuja verificação cabe à câmara municipal da respetiva área.”


Autorização camarária para utilização de imóvel para turismo


Para a obtenção dessa autorização, é necessário a seguinte documentação:

  • Documento comprovativo da legitimidade do requerente;
  • Termo de responsabilidade, passado por técnico habilitado, em como as instalações elétricas, de gás e termoacumuladores cumprem as normas legais em vigor;
  • Planta do imóvel a indicar quais as unidades de alojamento a afetar à atividade pretendida;
  • Caderneta predial urbana.
  • Sendo que se a capacidade ultrapassar as 50 camas é igualmente exigido um projeto de segurança contra incêndios.

As unidades requerentes desta autorização e/ou que procuram exercer a atividade de alojamento local deverão obedecer, segundo a Portaria previamente mencionada, aos seguintes requisitos:

  • Estarem instaladas em edifícios bem conservados no exterior e no interior;
  • Estarem ligadas à rede pública de abastecimento de água ou dotadas de um sistema privativo de abastecimento de água com origem devidamente controlada;
  • Estarem ligadas à rede pública de esgotos ou dotados de fossas sépticas dimensionadas para a capacidade máxima do estabelecimento;
  • Estarem dotadas de água corrente quente e fria
  • Ter uma janela ou sacada com comunicação direta para o exterior que assegure as adequadas condições de ventilação e arejamento;
  • Estarem dotadas de mobiliário, equipamento e utensílios adequados;
  • Disporem de um sistema que permita vedar a entrada de luz exterior;
  • Disporem de portas equipadas com um sistema de segurança que assegure a privacidade dos utentes.
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